10 de agosto de 2012

ELEVADOR


            Existem atividades que geram diversos sentimentos ao mesmo tempo por aqui. O transito, como já disse, desenvolve o sentimento de raiva ao mesmo tempo desperta o instinto de sobrevivência. Mas, na minha opinião, a mais intensa é TENTAR ENTRAR NUM ELEVADOR.
            Vamos lá, você está no shopping, passeando, vendo vitrines e se divertindo. De repente, o andar se esgota e você pensa:
“Vou pegar o elevador e desbravar as lojas do piso superior!”.
Aaaaah, péssima ideia! Essa eterna insatisfação do ser humano...o velho “querer mais”. Não podia ficar só num andar, não?!

Continuando...
Você se aproxima do elevador e antes mesmo que sua visão periférica (que o oftamologista jura estar ok) pudesse perceber, chega uma galera que, pela lei dos bons modos deveria ficar atrás de você. Mas não, estão todos na sua frente, até te empurram pra trás com os ombros! Eles apertam o botão antes do seu dedo chegar lá, e não apertam um só, apertam todos (sobe, desce...se tivesse pro lado e pro outro, eles apertariam também!). Você se questiona, pela primeira vez no dia, no ano, na sua existência: “Ninguém me viu aqui?”
Você está a passeio, pra que se estressar com isso? Continua sorridente e curioso pelo andar de cima. O elevador demora, mas não tem problema, afinal devem ter vários outros desbravadores por ai. Já, seus colegas apertam os botões, que já estavam acesos, milhares de vezes, olhando pra cima apressados e inquietos. Você se pergunta:
“Será que o cabo de aço que guia o elevador sobe a medida que eu aperto o botão. Por exemplo, cada apertada é 30cm que o elevador sobe ou desce, portanto até ele chegar aqui eu preciso apertar quantas vezes? ...vamos ver....deve ter quantos metros?....”
Antes que você termine a conta um dos elevadores dá sinal de que chegou! Ufa, alguém já tinha feito a conta antes que você e, por meio de milhares de apertadas no botão, trouxe o elevador até você! QUE GENTIL!

Você não sabe muito bem porque, mas ainda acredita na lei dos bons modos e dá um passo pra frente como quem diz com o corpo: “Ok, pessoal, eu fui o primeiro a chegar, serei o primeiro a entrar!”. A multidão invade sua frente:
“Será que esse é o último elevador do mundo? Será que é tipo o portal da caverna do dragão que levará todos pra bem longe da grande onda que destruirá o mundo agora em 2012?”.
 Que ideia maluca!!! Não faz o menor sentido isso, mas a forma com que todos estão se comportando ao seu redor dá um sentido especial a essa loucura! E pior: se for isso mesmo, você acaba de ser excluído pro final da fila e talvez nem tenha espaço no elevador, ou seja: se f%$#¨*!

De repente, não mais que de repente...um impasse incrível acontece. Há pessoas dentro do elevador que acabou de chegar e veja bem que surpresa: ELAS PRECISAM SAIR! Sim, você já sabia disso, mas seus colegas de salvamento não! Ou sabiam...
Começa o ballet mais desengonçado que você já assistiu: uma tia tentando sair do elevador enquanto outra a empurra pra dentro porque ela quer entrar. Mentes opostas se encontrando com um único alerta na mente piscado em neon: EU PRECISO ENTRAR e outros EU PRECISO SAIR.
O que os desesperados não entendem é que para uns entrarem, outros precisam sair, e NECESSARIAMENTE na ordem correta!
Nessa hora você lembra daquela entrevista de emprego que o avaliador lhe disse que deveria explorar mais seu espírito de liderança e pensa em fazer o seguinte:

“Ok, ok pessoal! Estamos todos passando por um momento muito complexo aqui! Temos ideias divergentes e precisamos resolver! Prestem atenção no comando. Os indivíduos A, os que estão fora do elevador, vão dar exatamente 5 passos para trás! Assim feito, os indivíduos B sairão um de cada vez do elevador. Ei você, careca! Você terá um papel importantíssimo, irá segurar a porta para que não feche por acidente em ninguém. Assim que a equipe B tiver evacuado o elevador, a equipe A pode entrar um de cada vez. O careca fica por último pra garantir a porta.”

            Mas, esse discurso parece meio “Titanic”, você quase se confunde quando diz: “todos entrarão no bote, calma!”...então desiste e não diz nada. Só observa.

            Como num jogo de futebol americano as pessoas vão entrando e saindo do elevador, no estilo salve-se quem puder. Talvez até tenham pessoas la dentro que seja a segunda ou terceira tentativa...
“Olá, você está indo pra qual andar?”
“Não, não, eu estou tentando sair há horas, mas o meu oponente é sempre maior e mais forte que eu. Quem sabe na próxima parada pego uma criança, vai da sorte de cada um!”

            A saga parece interminável, não? E É! Mas calma, você entrou!!! Incrivelmente esperou todos os jogadores se matarem e conseguiu um espaço.

Depois de toda essa vivência, já se sente íntimo daquelas pessoas. Tipo no Lost que no embarque ninguém se olhava nem se percebia, mas depois de toda aquela tragédia eles eram como uma família. Nesse espírito quase natalino você diz:

“Boa tarde!”
...... (vácuo) – ninguém responde. O máximo foi um olhar de uma criancinha que pensou: “ele falou alguma coisa?”

            Depois de uma dúvida existencial, a segunda é sempre mais intensa. Tudo que você temia pode estar acontecendo agora. Aqueles livros e filmes espíritas fazem sentido: VOCÊ SÓ PODE TER DESENCARNADO E NÃO SABE!
            Ta se achando o Bruce Willis no "Sexto Sentido", tentando juntar peça por peça do quebra-cabeça pra ver se lembra de algum contato humano na últimas horas, alguém encarnado que não seja o Chico Xavier que tenha conversado com você. Puts, nem o Chico Xavier não conta...até ele já desencarnou!
            Sua mente começa a se lamentar por não ter conseguido falar pra sua mãe que a ama e, antes de pensar em quem estará no seu velório, você percebe que está vivo! SIM, ESTÁ VIVO! Afinal todas aquelas pessoas que estão dentro do elevador com você começam a te empurrar pra fora! Chegou o seu andar e se você fosse um espírito todas elas passariam por você, lembra do “Ghost”???
É ISSO, VOCÊ NÃO MORREU, SÓ FOI IGNORADO!

            Agora pode continuar seu passeio pelo shopping...assim que passar pela barreira das pessoas que querem entrar no elevador que você está saindo, obvio.
            Bom passeio!

18 de abril de 2012

Descobri!!!


             A Mara, moça que ajuda na limpeza aqui de casa semanalmente, é uma das maiores responsáveis pelo aumento no repertório do meu vocabulário cearense.
            Sem dúvida, se 90% das expressões que ela fala não estivessem inseridas num contexto eu não entenderia nada! Ainda bem que sou uma boa ouvinte e capto tudo, mesmo que em outra língua.
            Entre “ouvido de mercador” e outras mais, a minha preferida é “rrumação”. Faço questão de iniciar esta expressão com dois “r” porque é a forma com que se pronuncia a palavra. Vou inserir no contexto pra vocês entenderem:
“- Estava no salão de beleza e a cabeleireira me perguntou: -É verdade que tu ta namorando o porteiro?. Daí eu disse: - Que rrumação é essa?? Eu namorando o porteiro? Não! Não!”

            Entenderam? Não sei exatamente qual expressão sulista se encaixa a essa, mas deu pra entender, não???
            Eu a-do-ro quando a Mara fala isso, porque é tão espontâneo e regional. Muito engraçado. Toda semana tem uma “rrumação” que aprontaram com ela e eu me divirto antes mesmo dela contar qual é.
           
             Mas esta semana que passou a Mara me apresentou a uma expressão que eu não conhecia, mas não por ser da cultura nordestina e sim por ser católica. E olha, isso mudou minha vida, não to brincando!

            Enquanto falava sobre uma parente que não gostava ela chamava a fulana de “abençoada”. Pra mim parecia muito incoerente, afinal eu já estava ficando confusa: a tal fulana é uma chata ou uma abençoada? Não aguentei e perguntei:

“-Mara, não to entendendo mais nada, essa mulher é abençoada ou não?”

Como uma católica fervorosa que é, ela me responde:
“- Dona Silvia, quando a pessoa é assim...assim...”

Interrompi porque a palavra não saía daquela boca santa, algum pecador tinha que dizê-la:
“-Quando a pessoa é chata, ruim, maldosa, isso?”

Aliviada a Madre Teresa continuou:
“-Isso! Quando a pessoa é assim a gente chama de abençoada pra não falar outra coisa!”.

            Neste momento veio aquela coisa que os tais psicólogos chamam de insight.
“-Agora entendi! Entendi tudo!”

            Me lembrei imediatamente, e minha mãe também vai lembrar, de uma doméstica que trabalhava la em Caxias quando eu e meu irmão éramos pequenos. Ela sempre me chamava de abençoada. Eu e meu irmão esperávamos a mãe e o pai irem trabalhar pra infernizar a vida dessa pobre. Descobrimos por acaso o pavor de lesma que ela tinha, bem como descobrimos o quanto uma "geleca" era parecida com uma lesma. Só me lembro que ela virava uma espécie de tiro ao alvo minha e do meu irmão, coitada!

      A ignorância é uma bênção! Eu preferia continuar acreditando que essa mulher era tão evoluída espiritualmente, mas tão evoluída, que conseguia ver em mim uma criança ABENÇOADA acima de qualquer tiro ao alvo. Mas NÃO! Ela tava era querendo me xingar, mas Jesus não deixava!

            Não me lembro do nome dela, mas Fulana, eu te autorizo! Eu merecia mesmo, pode me xingar mentalmente agora que eu “guento”! hahahaha

23 de março de 2012

Pronto o quê?

Uma das maiores dificuldades na mudança de cultura é a língua. Isso que eu não estou falando de um brasileiro na Europa ou um japonês no Brasil, estou falando em uma sulista no nordeste (e vice versa). 

Um dia me peguei na lavanderia de casa tentando entender o que o vizinho conversava com seu irmão. Não estava bisbilhotando, não. Estava apenas treinando o meu nordestinês. Mas não adiantou...por mais que eu tentasse erguer as orelhas como a minha vira-lata faz quando escuta um barulho, eu não conseguia. Não conseguia nem levantar as orelhas, nem entender alguma palavra.

É bem verdade que aqui as pessoas são mais lentas, mas na hora de falar não são meeesmo! Aliás, até são, mas num momento bem específico. Eu batizei este momento, para conseguir explicar pra quem nunca esteve aqui, de stand by. 
Sabe? Aquele termo que a gente usa quando um aparelho eletrônico entra em modo de espera! Pois então, normalmente as pessoas daqui entram em stand by quando você faz uma pergunta. Eu imagino que seja pra tentar compreender o que eu falei, traduzir o meu sotaque ou sei la. Sei que no começo neste momento de silêncio eu pensava: "Será que essa pessoa me escutou?", "Será que entendeu?", "Será que eu desencarnei e nem percebi?"...Até compreender bem que este é o tempo que a pessoa precisa para dar continuidade a conversa. (Já consultei outros gaúchos moradores daqui e garanto, essa impressão não é só minha!)

Num papo com o veterinário dos meus cachorros, que é cearense, mas fez seus últimos estágios na Universidade de Santa Maria no RS, descobri algumas coisas a respeito da linguagem:

Eu: "A Sara é muito fiasquenta, ela vem chorando de casa até aqui porque sabe que vai tomar injeção!"
Ele: Stand by..."Fiasquenta...essa é uma palavra bem do sul!"
Eu: "Não sei, é?"
Ele: "Quando cheguei la, nas primeiras duas semanas as pessoas me perguntavam se eu não falava. Expliquei que estava tentando antes entender o que ELAS estavam falando! E tem o tal de "feito" que vocês falam."
Eu: "Feito? Como assim?"
Ele: "Sim, "feito". Por exemplo, alguém me dá uma carona e quando chega na frente da minha casa me olha e diz: "Feito!?"
Eu ri muito e concordei com a cabeça.
Ele: "Eu pensava: 'Feito o que? O que foi feito?"
A gaúcha mordida aqui responde: "Mas vocês tem o "pronto". Por exemplo, vou numa loja e pergunto a vendedora se ela tem aquela calça só que na cor preta e ela diz: "Pronto" e vai buscar. Ou informo meu vizinho da data da reunião do condomínio e ele responde: 'Pronto'. Mas não tem nada pronto, o que ta pronto?"

Fomos obrigados a rir um do outro tentando defender sua língua materna (digamos assim) e, pior ainda, tentando entender a língua do outro.

Essa tarefa vai longe, viu...
Pode deixar que eu vou mantendo todos informados! Feito? (hihihihi)

9 de março de 2012

Um eletricista, pelo amor de Deus!!!!

     A viagem de volta (Tubarão - Itajaí) me fez lembrar que tem uma história faltando neste blog. Ta bom, ta bom...existem milhões de histórias faltando, porque cada dia é uma tragicomédia aqui. Mas, essa eu preciso registrar, pelo menos em homenagem à minha amiga Karol que ficou rindo da minha desgraça! hahaha

     Como eu já disse, chuveiro elétrico aqui é algo de outro mundo. Mesmo nas lojas especializadas você não encontra uma diversidade de modelos suficiente pra te fazer ficar parado na prateleira escolhendo qual levar. E quando você fala para o atendente que está procurando por um, ele te olha de cima a baixo e, se eu lesse pensamento, ele estaria pensando: "Bem se vê que essa não é daqui!".

    Com o chuveiro em mãos chamamos o Sr. Edson, o eletricista (?) que a imobiliária mandou para instalar as lâmpadas. Na última vez que ele veio confessou que o Sr. G (lembra do post do Sr G de Grito??) não lhe paga nem os parafusos pra que ele faça o serviço. Fiquei morta de pena e resolvi chamá-lo para instalar o chuveiro, dando uma força pro seu trabalho.
     Confesso que me divirto muito com ele. Bom, deixa eu descrever essa figura pra vocês entenderem.
    Chega num fusca emprestado e nunca traz escada, parecendo desconhecer seu um metro e meio, no máááximo, (diz o Thiago que ele é menor que a minha sogra! hihi). Vem ele com sua maleta de ferramentas, vestindo camisa, calça e sapato, como quem vai a uma festa. Cada pouco ele desce da escada emprestada e tira da sua maleta um desodorante estilo "Très Marchand", preocupado com o possível suor. Depois de algumas horas de trabalho, ele tira da maleta, que mais parece a bolsa da Mary Poppins de tanta coisa que sai la de dentro, um óculos tipo fundo de garrafa. Imaginem o meu espanto em perceber que o “homi” passou todo esse tempo trabalhando sem as lentes!
“Sr. Edson, pelo amor de Deus, que óculos é esse?”
“Não, Dona Silvia, esse óculos é só pra usar de vez em quando!”
“Sr. Edson, sem esse óculos o senhor não enxerga nem a sua mulher, pelo amor de Deus!”
            Ainda negando sua miopia, astigmatismo, hipermetropia e qualquer outra coisa que deve ter, ele tira o óculo e me alcança o chuveiro em pedaços saído de dentro da caixa:
“Dona Silvia, monte aí!”
“O senhor ta doido, Sr. Edson? Eu lá sei montar chuveiro?”
“Ah, veja aí como se faz e me alcance!” – pra não dizer que ELE também não sabe, ou não enxerga o suficiente.
            Eu não sei se é só a falta do óculos, mas esse comportamento do Sr. Edson mostra que ele pode ser o único exemplar sem machismo já encontrado por mim. Afinal de contas, “deixar uma mulher” montar o chuveiro é uma prova e tanto!
            Entre tentativas e erros eu consigo montar o quebra-cabeça chuveirístico. Chego a me perguntar quem é mais eletricista: eu ou ele? Principalmente quando ele me olha e pergunta: “Esse fio deve ser aqui, não é?”. A segurança que ele passa faz com que eu repita a cada vez que ele me pede pra ligar o disjuntor:
“NÃO VAI LEVAR CHOQUE AI, POR FAVOR!”
O final dessa história não podia ser diferente, o chuveiro não foi instalado.
Chuveiro versus Sr. Edson =  Chuveiro WINS!
Com esse desfecho, me obrigo a chamar um eletricista que cobra R$60 para consertar o erro alheio, que provavelmente não virá de fusca, trará sua própria escada, não terá 500 graus de miopia, não estará perfumado e nem me perguntará em qual fio ligar... Agora me digam:
“Que coisa mais sem graça, não???!!!!”

9 de janeiro de 2012

Praia do Cumbuco

    Este domingo fomos descansar na Praia do Cumbuco. Quero deixar aqui as dicas pra quem tem interesse em fazer essa visita.

    A praia fica a 35km de Fortaleza, pra quem fica sem carro, tem ônibus por R$5 que pega a galera na beira mar. O visual é maravilhoso, daqueles de cinema. Aos sulistas como eu, acostumados às paisagens restritas ao redor da praia, fica marcada a imensidão das dunas de areia, os coqueiros por todos os lados e aquele mar verde de poucas ondas que não tem fim.
    Sem falar na diversão (e às vezes até pena) que sentimos ao ver uma verdadeira fashion week de jegues. Isso mesmo! Este final de semana encontramos um “estilo dálmata” (sim, seu dono fez várias pintinhas pretas no seu pêlo) e outro com uma cela de arrasar: rosa com estampa de oncinha.
   Os famosos passeios de buggy não podem faltar. Você pode escolher "com" ou "sem emoção". O importante é procurar os bugueiros credenciados, que possuem verdadeira experiência e segurança para que o passeio seja divertido na medida certa. Mas não dá pra negar que a grande atração do lugar é o kitesurf, esporte feito numa prancha parecida com a do windsurf tracionada por um parapente. O uso do parapente proporciona muitas possibilidades de manobras e saltos, que normalmente não são possíveis em outros esportes de manobras como wakeboarding e snowboarding. Misturado com o verde mar há o vermelho, o amarelo, o azul e o laranja da variedade dos parapentes. Claro que o meu marido, que tem o espírito radical que eu não tenho, já se interessou. E eu fico imaginando as fotos lindas que podem sair dessa aventura.
    Pra quem não é tão aventureiro assim, fica a dica do passeio de jangada que também dizem ser muito divertido e bonito. Para os mais tranquilos ainda, fica a dica do momento: alugar um almofadão e se jogar na sombra, aproveitando a paisagem e colocando as idéias em ordem.
    Fomos parar na mesma barraca que fiquei com meu irmão e minha mãe quando era turista: Velas do Cumbuco. Tem uma estrutura legal de restaurante, banheiros e piscinas adulto e infantil. A minha recomendação como visitante é que levem na mochila, além do habitual, papel higiênico, sabonete e protetor para painel do carro. Como todo local onde há muitas pessoas, os banheiros geralmente apresentam a falta desses 2 primeiros ítens importantes e o estacionamento nem sempre tem sombra pra todos. E te digo uma coisa: você realmente não vai querer fritar dentro do carro depois de um dia especial na praia!
    Fica aí a dica aos futuros visitantes.
    Conforme for visitando as demais praias, vou escrevendo para vocês!  

3 de janeiro de 2012

Esmola


            Recebemos uma penca de conselhos de amigos e familiares quando decidimos vir pra cá. Entre muitas dicas importantes, uma delas era que aqui encontraríamos mais pessoas nas ruas pedindo esmola do que estávamos acostumados. Claro, no RS é difícil porque é muito frio e em SC, principalmente em BC que é uma cidade turística de classe mais alta, os mendigos devem ser (imagino) convidados a se retirar para não ofuscar a paisagem dos veranistas da Avenida Atlântica, enfim...
            Quem é de BC conhece a Dona Inês. Talvez não pelo nome, mas é uma senhora baixinha, cabelinho branco, sempre vestida com a roupa de “Agente Ambiental” cedido pela prefeitura àqueles que catam pelas ruas latinhas, garrafas PET e papelão. Não tinha um dia sequer que eu não a encontrasse pelas ruas. Morava próximo ao prédio que nós morávamos e eu a via de manhã cedo saindo com um saco vazio, boné e seu chinelinho. Às vezes, íamos caminhar ou jantar e lá estava ela, 22h ou 23h ainda trabalhando.
            Ela ia passando pelas lixeiras que ficam ao lado dos bancos da Avenida Atlântica (beira mar) cumprimentando quem estivesse por lá com um “Bom dia! Boa tarde! Boa noite!” antes de enfiar sua mão calejada dentro daquela caixa de surpresas. Tirava de lá sempre uma latinha no mínimo, e assim ia enchendo suas sacolas, levando pra casa e voltando para coletar mais.
            Um dia não aguentei, parei pra conversar. Apresentei-me e pedi o nome dela. Com um sorriso no rosto e sem parar de catar o lixo ela me contou um pouco da sua história. Sensibilizada, convoquei alguns amigos e enchemos uma caixa grande de alimentos e coisas úteis para presenteá-la. No dia em que fomos entregar, ela não estava em casa, conversamos com o vizinho e nos surpreendemos. Ao contrário do que imaginávamos, a Dona Inês não era tão pobre. Tinha casa própria, metade de alvenaria e metade de madeira. O vizinho explicou que pra conseguir seu dinheirinho ela aluga uma parte da casa e na outra mora sozinha, que sai todos os dias sem falta para catar latinhas e que é muito querida por todos.
            Claro que isso não era motivo pra desistirmos da doação, mas era pra que eu ficasse pensando o que levava uma senhora com a idade dela ficar sol a sol catando latinhas, já que pelo que sei, o preço que pagam não é “grandes coisas”. Com certeza é muito menos do que ela recebe com o aluguel de uma parte da casa. Não perguntei o porquê a ela, já que isso nem é da minha conta e poderia soar de maneira estranha. Mas, imagino que seja não apenas pelo dinheiro que consegue na venda, mas pelo fato de estar trabalhando, ativa, numa rotina que a mantém com a pele queimada do sol, o rosto suado de calor, mas a mente limpa e saudável.
            Passei a admirar ainda mais aquela senhora e toda vez que a vejo penso o quanto ignorante eu sou com minhas reclamações de cansaço e estresse. Um dia fui comprar flores para colocar no nosso apartamento e encontrei a Dona Inês. Com um casaco de crochê azul celeste e sem boné. Ela me reconheceu e parou para dar um “bom dia”. Eu disse que ela estava muito bonita e ela respondeu: “Estou indo para a Igreja!”. Dei uma das flores que havia comprado e recebi um abraço com cheiro de creme hidratante (vaidosa!). Continuei minha caminhada pensando novamente em como sou pequena.
            Sabendo dessa e de outras histórias que tenho sobre pessoas batalhadoras que me sensibilizam, meus amigos me alertavam sobre minha vinda para o Ceará: “Se você já se emociona assim aqui, lá você vai doar até as calças no meio da rua!”. Realmente a pobreza aqui é mais evidente e aquele aperto no coração que sentia às vezes em SC se faz presente todos os dias. Preciso aprender e exercitar o “não” em algumas situações. Não são em todos os sinais que posso contribuir com àqueles que limpam o pára-brisa, nem em todos os lugares que estaciono àqueles que colocam um pedaço de papelão para o sol não maltratar o painel do carro,... Mas não é fácil.
            Aqui as coisas se misturam e a mesma pessoa que vende jornais no sinal, quando você faz gestos de que não tem interesse em comprar, ela tira do bolso uma caixinha que diz: “Ajude no meu Natal!”. A mesma pessoa que trabalha, pede esmola.
            Numa das nossas caminhadas pela beira mar de Fortaleza, enquanto íamos comprar um sorvete no Mc Donalds, um menino estendeu a mão e falou alguma coisa, que dificilmente eu consigo entender (pelo sotaque e pela voz arrastada de quem pede ajuda). Eu disse o famoso e que me corta a alma: “Não tenho nada aqui!”, tentando ser gentil, mas sem olhar nos olhos dele pra não me derreter. Ele disse: “Mas eu não quero dinheiro, tia. Quer só um lanche!”. Daí foi inevitável, UM LANCHE! Poh! Pensei: “Poxa, o menino passa o dia aqui pedindo esmola, vendo as pessoas saindo com sorvete e hambúrguer, ele também merece um, neh! Compramos dois sanduíches do Mc e quando fomos entregar ele sorriu e agradeceu. Aí aquela sensação de ter feito algo de bom nos invadiu. Atravessamos a rua e tive uma má impressão quando vi um cara mais velho atravessando ao mesmo tempo que nós só que na direção contrária. Um pouco depois eu olho pra trás, o menino olha pra mim e dá risada. Eu vejo que o pacote não está mais nas suas mãos e sim indo embora nas mãos do cara que atravessou a rua antes. Aí acho que eu e o menino pensamos a mesma coisa a meu respeito: “Idiota!”
Como eu fui burra! O menino riu na (e da) minha cara. Eu era mais uma turista burra, enganada e sensibilizada pelo menino bonitinho e pobre, usado como laranja pra um cara mais velho e sem dignidade.
            A sensação de caridade foi completamente destruída pela raiva de ter sido enganada. E viva a Cássia Eller:

“Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar...”

            Por essas e outras creio que o melhor a fazer mesmo é se engajar em projetos voluntários, fazer doações diretamente nas instituições, etc. Por outro lado, sabe-se que este tipo direcionado de doação não abrange as pessoas que estão nas calçadas pedindo ajuda...e será que deveria?

Pra encerrar, um pedacinho de outra música da Cássia Eller que eu acho muito divertida, “Partido Alto”:
“Deus me deu mãos de veludo
Prá fazer carícia
Deus me deu muitas saudades
E muita preguiça
Deus me deu pernas compridas
E muita malícia
Pra correr atrás de bola
E fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia”

2 de janeiro de 2012

Calooooorrr


         Você não sabe exatamente qual o momento certo de colocar seus cachorros no ar condicionado ou deixá-los curtindo a sombra do quintal. Até que seu labrador deita esparramado no chão da cozinha, se estica para alcançar o pote de água, como se fosse um perdido no Saara enxergando um oasis, e toma água ali, deitado mesmo. Aí é a hora de subir e ligar o ar, você tem CERTEZA agora!

A Sara tem exercitado suas posições de...sei la...Yoga Canino, talvez. Ela passa o dia de barriga pra cima, revezando entre o canto da sala de jantar, a despensa e o canto ao lado do fogão. Ela, ao contrário do Eros e de mim, não é fã do ar condicionado e está pegando mais sol do que eu. Aliás, engana-se quem acha que a minha brancura está mais amena. Gente, não há condições biopsicossociais de encarar um banho de sol, acreditem!

         O calor que faz em Fortaleza às 12h em ponto é algo excepcional. Dizem que as cidades do interior possuem a mesma temperatura, mas não a mesma brisa. Mal consigo imaginar como o pessoal consegue fazer suas atividades do dia a dia por lá. Sem dúvida, o que salva a minha pele é que não há um só dia sem que o vento apareça (e o ar condicionado, e o protetor solar...).

         Outra curiosidade, é que chuveiro elétrico aqui é artigo de luxo. Ninguém tem pelo simples fato dele não ter a mesma serventia que tem no sul. Aquecimento a gás então, provoca a mesma reação nos nativos que você perguntar onde vendem estufas por aqui. Desnecessário, ainda bem!
        
Embora um chuveiro com água em temperatura ambiente seja muito bem vindo neste calor, temos nossas estratégias. Um banho logo de manhã cedo (após horas no ar condicionado) ou antes de dormir (quando a temperatura já está mais amena), não é tão simples assim. É preciso se acostumar, como se faz nas praias do sul antes de entrar no mar. Molham-se os pés, com as mãos leva-se a água nas pernas, na barriga (bbbrrrrrrrruuuuuu) e nas costas. Por outro lado, depois de um dia de correria, daqueles que sua roupa está colada em seu corpo e seus cabelos amarrados porque você não suportou a possibilidade deles encostarem em suas costas com toda essa “quentura”, é ótimo. Mas veja bem, como a expressão mesmo diz, a temperatura da água é como a do ambiente. Tente ligar o chuveiro ou a mangueira por voltar das 15h da tarde: a água está mais quente do que se você tivesse um chuveiro elétrico.
        
Ah a piscina do condomínio! Como seria bom tê-la. Mas infelizmente a manutenção não está acontecendo com a periodicidade combinada na reunião. Enquanto isso é bom se contentar com um banho de mangueira (mas não às 15h da tarde! Hihihi).

12 de dezembro de 2011

Então é Natal!

Como dar um título a este post sem lembrar do CD Natalino da Simone, que este ano não vou escutar (feliz ou infelizmente)?!

     Pra mim o espírito de Natal chega só agora, mas para o comércio outubro já é quaaase natal e você TEM QUE ANTECIPAR AS SUAS COMPRAS. Como se você fosse resistir ao presente escondido no guarda-roupas por 2 meses. Nós, que somos bem brasileiros, compramos os presentes em cima da hora e não resistimos esperar até a noite de Natal com a desculpa de: "Ah, mas é que eu comprei isso pro fulano por usar na noite de natal, como posso dar depois?". 
 
   Enfim, agora que o natal se aproxima mesmo e eu morro de pena do coitado do Papai Noel Brasileiro que passa meses vestido com aquela roupa super quente, dando tchauzinho nas ruas e, com sorte, nos shoppings com ar condicionado. Chego a pensar que o coitado fica meio esquizofrênico, afinal de contas todos ao seu redor estão de biquini tomando um sorvete e ele no meio de toda aquela neve que sai de uma máquina. Fora que talvez existam alguns que nem saibam ao certo qual foi o pedido da criança:

- Olá, querido! Como você foi um bom menino este ano, o Papai Noel vai te dar um presente. Qual você gostaria?

O menino que recebeu anotações na agenda o ano todo e sua mãe está lá com muitos fios de cabelos a menos pela preocupação desses 365 dias que passaram, responde:

- Tipo assim, se tu tivesse conectado no Twitter saberia o que eu quero sem precisar perguntar. Todos meu amigos do Face sabem também. Mas já que tu não curte essas paradas eu falo a real: to afim de um Playstation 500 que fica invisível quando a mãe chega, traz o refrigerante e coloca as roupas dentro da máquina de lavar pra mãe não encher meu saco. Mas tem que ser aquele que tem holograma, pra eu poder me fazer presente nas aulas ao mesmo tempo que estiver em casa dormindo. Tá ligado, Noelzão?

   Honestamente, fiquei muito supresa quando o Thiago chegou com 3 cartinhas de crianças pro Papai Noel, tipo aquelas do Correios. As 3 crianças pediram skate, patins e chuteira! Da prá acreditar? E são crianças de 9 anos, não são tão pequenas, não é mesmo?! Fiquei feliz demais!! Um deles escreveu: "Não tenho muitas palavras pra dizer o que eu quero, mas sim desenhos" e fez vários skates pela folha. Já compramos os presentes e espero que elas gostem.

    Lembro da época em que era criança (que não faz tanto tempo assim, ta!!!!), não sabíamos qual o presente receberíamos. Eu e meu irmão ficávamos na maior expectativa porque, sem dúvida, aquele era o melhor presente do ano, o mais esperado. Claro que a mãe e o pai sempre acertavam o que queríamos, mas nunca foi declarado. Eles nunca perguntavam: "O que tu quer ganhar?", era sempre indiretamente, sem que percebêssemos. Tínhamos que esperar até a troca de presentes na noite de natal, e algumas vezes a mãe colocava os presentes embaixo da árvore antes dessa data. Na promessa de não abrir (e nunca o fizemos) eu e o Gui passávamos horas tentando adivinhar o que estava por dentro daquele embrulho. Os presentes das vós e dos padrinhos também eram uma incógnita, mas sempre certeiros. 

   Dizem, esses tais de psicólogos, que a educação dos nossos filhos é baseadas também nas coisas que vivemos com nossos pais, sejam coisas que queremos ou que não queremos fazer como eles. Quero manter essa surpresa e recompensa que meus pais faziam com a gente. Quero que meu filho não saiba o que vai ganhar, que sinta a alegria da surpresa e a expectativa do momento. Quero manter o momento de oração que a minha Vó Sunta sempre puxa, todos em círculo, de olhos fechados agradecendo pelo ano. A Vó faz isso todo ano, mas eu ainda sou pega de surpresa quando ela complementa: "Fala Silvia, que tu fala umas coisas bonitas!" e eu tenho que me virar nos 30 com as palavras improvisadas. Ah, sem falar do "Saco Surpresa" que pra mim é o ápice da noite. Esse foi instituído pela minha tia Claudete que tem uma criatividade pra colocar cada coisa nesse saco, que ninguém consegue segurar a gargalhada. Disso eu não abro mão também. E o Manjar Branco da Madrinha? Fala sééério!!! Não pode faltar! Fora que o Gui sempre faz umas palhaçadas com os presentes que ganha. 



Isso vai fazer falta nesse próximo Natal...mas estará presente em todos os outros, de um jeito ou de outro!!!!

8 de dezembro de 2011

Palhaçando por ai...

Sinto que preciso mandar uma passagem especial só de ida para alguém que sinto falta e trará muita alegria a Fortaleza: a FLORINDA.

         Florinda é uma palhaça que criei com um nariz machucado, uma roupa de estrelas, uma pantufa (que certamente terá que ser substituída aqui neste calor – aliás, será que o nordestino sabe o que é uma pantufa??), maquiagem de palhaço e muitas flores nos cabelos.
         Unindo coisas que gosto: hospital + bom humor + psicologia, trabalhei como voluntária no projeto Terapeutas da Alegria (www.teralegria.com.br). Os cursos que fizemos de clown e as experiências foram construindo minha personagem aos poucos.

         Tivemos semanas de preparação com reuniões semanais antes de propriamente entrar nos hospitais. Enquanto isso eu me preparava não só tecnicamente, mas psicologicamente para enfrentar um ambiente hospitalar, que até mesmo pra quem gosta é pesado. Imaginava que precisaria me poupar emocionalmente durante o dia para estar 100% a noite no horário das visitas. Como depois de 8 horas de atendimentos eu poderia me doar para essas pessoas internadas em hospitais públicos? Me surpreendi!     
Durante a concentração da maquiagem, onde todos voluntários se transformavam em palhaços dos mais bizarros possíveis, as energias começavam a aparecer. Entrar cantando ao som de um violão num corredor de hospital que pede silêncio era um desafio e ao mesmo tempo tem aquele gostinho que adoro de: diferente e improvável. Aos poucos as mãos com soro pendurado abriam as portas e um sorriso aparecia como convite: “Venham aqui! Venham me ver!”.
Entre algumas caras desgostosas de poucos profissionais que não entendem o trabalho, outros felizes pela bagunça instalada. Após a cantoria nos dividíamos em duplas e entrávamos nos quartos sempre pedindo permissão.
Os que já nos conheciam contavam os dias para nossa próxima visita, mesmo que o nosso adeus viesse com a fala: “Tchau pessoal, esperamos NÃO VÊ-LOS aqui semana que vem!”.
         Na ala infantil quantos procedimentos facilitados, quantos minutos de sossego aos pais, quantos balões modelados, quantas histórias contadas...
         A equipe não ficava de fora, as enfermeiras e enfermeiros cansados após horas e até dias sem dormir recebiam uma atenção especial. 

         Quando eu subia na moto pra ir embora (e quantas vezes ainda com as flores nos cabelos sem perceber) a sensação era de renovação, parecia que eu recém tinha acordado e estava pronta pra fazer muitas e muitas coisas. Eu tinha certeza: era uma via de mão dupla, eu ajudava os pacientes a enfrentar aqueles dias solitários de dor literal e emocional e eles me ajudavam a entender que a vida é muito mais do que eu pensava.
Vontade de ajudar não faltava, o que faltou mesmo foi tempo para continuar no projeto. Infelizmente precisei sair por conta de mudanças no meu horário de trabalho.
Mas não adianta, a Florinda está em mim! Surgiu um projeto que minha amiga e colega Nutricionista Mariana nomeou “Brincando de Nutrição” numa escola infantil de BC. Na nossa primeira atuação rebolamos para manter as crianças atentas aos ensinamentos. Por mais lúdicas que pudessem ser nossas atividades, as crianças eram pequenas demais para compreender (de 1 a 6 anos). Para a segunda intervenção eu pedi: “Mari, confia em mim!”. Ela confiou e eu cheguei com um roteiro incluindo uma palhaça chamada Florinda que se alimentava muito mal e tinha comportamentos resistentes como toda criança. Florinda precisava da ajuda de uma nutricionista e de alguns amigos com urgência.
Deu muito certo, o que era pra ser apenas uma intervenção virou teatro mensal. A cada mês estávamos lá com a Florinda, que as crianças quando olhavam pra mim sem maquiagem nem desconfiavam que era eu a palhaça. Uma vez uma menina disse:

- Você é a Florinda?
- Eu? Eu não! Por que?
- Porque ela tem uma aliança dourada igual a tua!

Dava pra acreditar nesse detalhe que ela percebeu? Ela tinha no máximo 5 anos! Naquela apresentação eu tirei o anel e percebi a menina o tempo todo procurando em qual dedo estava a aliança que ela tinha certeza de ter visto em outros dias. Ao final se convenceu: realmente aquela moça não era a Florinda! Hahaha

Foram dias mágicos, apesar do cansaço de apresentar 4 ou até 5 vezes o mesmo teatro no mesmo dia, era divertidíssimo. As crianças aderiam e as professoras reforçavam: “Você não ajudou a Florinda a aprender a comer frutas? Então deve comer também!”.
Aproveito para agradecer a Mari pela confiança e trabalho lindo que fizemos juntas, a Florinda fica perdida sem você. Bem como o Unificado Kids que acreditou na nossa doideira que deu tão certo.
E com todas essas lembranças boas, como posso simplesmente deixar a Florinda na gaveta? Nem pensar! Ainda não descobri onde ela vai trabalhar, mas já estou com algumas idéias boas.
Apesar de estar na terra do humor, não são só os palcos que precisam desse santo remédio, não é mesmo? Em breve a Florinda estará trazendo alegria para locais que nem sempre este sentimento tem espaço. Aguardem!

6 de dezembro de 2011

Pé de coelho, trevo de quatro folhas e ferradura.


             
Começo a achar que a frase “Ninguém é perfeito” vale para os móveis também: “Nenhum móvel é perfeito”, e eletrodomésticos e encanamentos e serviços e....
            Pessimismo? Não, é apenas mais uma postagem pra você rir!

            Tenho escutado repetidamente a frase: “Vocês tiveram azar!”. Saída da boca de todos vendedores para justificar a imperfeição de alguma coisa. E quando digo imperfeição, parece que eu gostaria que os móveis e demais utilidades comprados estivessem em um estado intocável de virgindade (se é que podemos dizer assim), mas não. A minha única exigência é que funcionem corretamente. Pois bem, não foi possível: DEMOS AZAR! E a lista é grande...
            Inicio a mais nova tragicomédia, que mais parece um “Vale a Pena Ver de Novo”, com o fogão, como chama minha amiga Jenifer O Fogão de Borracha. O dito cujo que saiu saltitando logo em sua chegada. Pra quem não está por dentro do babado: no dia da entrega, quando o homem o desamarrou, caiu, quicou e se estatelou no chão. Obviamente foi substituído (apesar dos protestos do entregador que dizia ser normal o amassado).
            Continuemos com a mesa que chegou bamba e logo recebeu um papelão dobrado (clássico) em seu pé deformado com a promessa a nós mesmos de mantermos a sanidade mental: “Não vamos nos incomodar com isso!”.
            Sem falar no sofá...ah o sofá merece um parágrafo maior! Este foi difícil. Pra começar a loja não aceitava cartão nem cheque de “outras praças”. Mas a minha praça é tão legal, é a Dante Alighieri, la de Caxias do Sul!!!! Tivemos que rebolar, dançar a dança da chuva, o  rebolation e a macarena pra conseguir a aceitação do cheque. Preciso dizer que a entrega atrasou mais de 1 semana e meia? Não neh?! Daí quando chegou o nosso mais querido companheiro de cochilos e novela, lá estava o crime: dois riscos de caneta (vermelha e azul) no braço do sofá bege, como se fosse uma tatuagem numa pessoa branca como eu, que se vê de looonge. O novo sofá chegou com atraso novamente, e mais do que isso, deve ter vindo de algum acidente: estava quebrado. Isso mesmo: que-bra-do! Até a representante da fábrica (gaúcha) veio à minha casa dizer pessoalmente a frase do tal do azar. Não tinha jeito, nem ela acreditava na desgraça, era mais um sofá devolvido. Enquanto isso, recebo ligações do impermeabilizador que escuta uma espécie de “repeat” das minhas palavras: “Olha, o sofá até chegou, mas vamos devolver porque está com defeito!”. Cá estamos nós com o sofá quebrado à espera da alternativa (ou de outro com outro tipo de defeito, quem sabe).
            O roupeiro escolhido com muito cuidado, veio com as duas portas completamente tortas e com peças maiores do que as normais. Desta vez foi o montador: “Vocês deram azar!”. Bem como a estante de livros que devia estar no mesmo acidente do sofá, mas nessa literalmente “a bala” pegou de raspão, e que raspão deixou!
            O mais incrível foi o microondas. Por favor, tentem entender...ele veio com os pinos da tomada maiores do que o encaixe! Descobrimos então que há um outro padrão de tomadas, a qual a LG (e somente ela) resolveu seguir. Agora eu me pego pensando em como será a minha ligação de reclamação:

- Atendente Luzicleide, em que posso lhe ajudar?

- Luzi...o quê?...Não importa...Olha, eu gostaria de trocar o meu microondas.

- Trocar? Por qual motivo?

- Estou mais acostumada a usar o que liga na eletricidade e não esses à manivela ou luz solar, ou sei lá o que. Deve ser aquelas coisas que agora todo mundo faz chamando de sustentável. Quero um que ligue no interruptor e pronto!

- Mas Senhora, a LG não fabrica microondas que não sejam ligados na eletricidade!

- Ah, me desculpe. Vou alargar as minhas tomadas com uma faca, então!

            O colchão não ficaria de fora, não é mesmo? Eu pensei que sim!!! Depois de alguns dias com dores nas costas, pensei que poderia ser ele revelando algo. Dito e feito, o meu lado está visível e sensivelmente deformado. Isso que estamos usando há apenas 30 dias.
            O gás e os lustres da sala foram encorajados e também revelaram suas características indesejáveis. Nem a cadeira de praia se conteve.
            Estou tentando deixar o rack, a máquina de lavar e a geladeira trancados numa sala escura e isolada acusticamente, pra ver se eles se mantêm intactos e sem essas idéias absurdas.

21 de novembro de 2011

Não muito Fast essa Food.

       "Refeições diárias" - deveria ser um capítulo com apenas 2 frases. Mas, o que tem apenas duas frases aqui? Nada se resume, tudo é uma longa história tragicômica, porque essa seria diferente?
      Quando se tem uma casa, o gás fica (geralmente) pra fora. O que faz ligação entre ele e o fogão é uma mangueira que passa por um furo na parede. Certo! Certo não, errado! Planejado por um engenheiro que nunca conversou com o arquiteto, o nosso “furo” está localizado onde fica a geladeira. Como ainda não sabemos se vamos simplificar essa novela fazendo um furo no local correto (sob pena de ter que “remendar” ao final da locação), estamos sem gás e, consequentemente sem usar o fogão.
      As lindas panelas da Tramontina estão embaladas, carregando uma placa em cada uma de : “Por favor, me use!”. Bem como os pratos e jogos americanos. Temos uma grelha e uma panela elétrica também, mas quem disse que a gambiarra de energia suporta?
      Por tudo isso, as refeições principais não estão sendo das melhores. Um dia tivemos a péssima idéia de pedir uma tele entrega. Sem conhecer os arredores e apenas com a internet do celular disponível encontramos a Bebelu. Ligamos para perguntar que tipo de lanche eles serviam:
-“Ola, o lanche de vocês é como?” – perguntou o Thiago
-“Hambúrguer, batata frita e refrigerante” – explicou a atendente
- “Que tamanho? Parecido com o do Mc Donalds?” – questionou o faminto
- “Não conheço o Mc Donalds, senhor!” – respondeu a atendente que provavelmente estava sendo ameaçada pelo gerente naquele exato momento dizendo: “Se você der alguma informação sobre o concorrente eu tiro teu vale transporte!”.
      Já que a fome era maior do que a curiosidade, pedimos esse mesmo com a promessa de 40 minutos de espera.
      Após quase 1 hora e 30 minutos, na qual já tínhamos comido amendoim o suficiente, chegou a entrega. O Thiago achou que sabia o motivo da demora:
-“O senhor se perdeu?”
- “Não, eu venho sempre pra ca fazer entregas!” – respondeu o motoqueiro tranqüilo.
     
Moral de hoje: “Não pedir entregas quando se está com fome!”

Só deixo o meu Ceará, quando a cachaça acabar!

    Não posso deixar de falar sobre o outro acontecimento que recarregou minhas baterias: o passeio na Praia do Futuro.
      Entre compra de GPS, feltros pros pés das cadeiras, antena pra televisão, o Thiago exclamou: “Vamos jantar na Praia do Futuro!”. Na hora não achei boa idéia porque chegar em casa com tudo desarrumado e por fazer é uma pulga atrás da minha orelha. Mas eu não podia negar algumas horas de lazer pro meu marido que além de trabalhar 8h por dia, ainda faz “hora extra” quando chega em casa.
      Nas praias aqui de Fortaleza existem estruturas (que agora não me lembro o nome) com bares, restaurantes, quiosques, piscinas e muito mais na beira mar. Uma delas se chama Crocobeach, era pra lá que estávamos indo.
      Nem sempre gosto de estar em locais movimentados, tenho um limite. Depois de algumas horas no shopping, o que eu mais queria era paz. Chegamos na hora certa, o povo todo estava arrumando as coisas pra ir embora. O sol dava seu último suspiro. O cardápio estava ótimo, mas o que mais me animou foi o som. A banda Dona Zefa reinventou a música de Elis Regina ao som do triângulo. Acompanhados de violino e uma voz maravilhosa qualquer letra virava um forró gostoso de escutar. Até Carmen Miranda caiu no arrastapé.
      Com a cabeça cheia de preocupações e a síndrome de segunda-feira chegando, escuto: “Só deixo o meu Ceará, quando a cachaça acabar!”. Apesar de não ser uma apreciadora de cachaça, a letra da música me faz pensar: “Esse povo gosta muito dessa terra mesmo! Não é possível que seja tão difícil viver aqui! Acho que estou fechada pra coisas boas, colocando todas minhas energias nas coisas complicadas (já que são elas que exigem mais). Talvez eu mereça esquecer um pouco os compromissos e só deixar a música entrar!”
Quando me permito enxergar, a pista está cheia. Todos dançando e comemorando o simples fato de estar ali. Sem dúvida, muitas daquelas pessoas têm problemas pra resolver, mas estavam lá, com a maior cara de quem não tem o que fazer durante os próximos 10 anos.
Virei minha cadeira para o palco e simplesmente vivi!

Acredita!

Nestes atuais 21 dias em Fortaleza, duas coisas me fazem acreditar que tem muita coisa boa que eu ainda não consegui conhecer (por conta de tudo isso que já escrevi neste blog): uma foi o jantar na Crocobeach na Praia do Futuro e a outra foi uma caminhada na Beira Mar de Iracema.
      Nesta última, o Thiago nos levou (eu e o Eros) para um ponto muito divertido da praia, onde há locação de patins. Ficamos como expectadores. Entre profissionais e amadores, o que mais nos chamou atenção foi um rapaz acompanhado de uma amiga. Pra começar, os patins dele estavam muito mal ajustados, ele não apertou o suficiente o “cadarço”, fazendo com que a posição das suas pernas ficassem iguais a do Kiko do Chaves!
      Ao invés de deslizar, ele marchava, batendo os pés no chão com força. Seu tronco sambava em busca de equilíbrio e suas mãos tentavam agarrar qualquer coisa que estivesse por perto para não cair.
      Mesmo com toda essa falta de técnica, o rapaz tinha um sorriso no rosto que demonstrava satisfação, felicidade e concentração. Entre desequilíbrios, risadas e marteladas no chão, ele repetia em voz alta: “Acredita! Acredita!”.
      É isso...meu patins também está frouxo, eu não sei andar, quase não tenho em quem me apoiar, mas preciso ACREDITAR!
      Por mais tola que pareça essa história, neste momento de fortes emoções ela me faz pensar, por saber que devo ser como esse rapaz: otimista e determinado. ‘Acredita’, para mim quer dizer: “Talvez não dê certo, talvez você não consiga agora, talvez seja doloroso e cansativo, mas você vai conseguir!”. Desde aquele dia, essa é a palavra que eu repito pra mim diariamente.

"Nada é como a gente quer"

     Esse blog me salva! Costumo dizer que tenho dias de “Jeremias”, aquela figura que apareceu no youtube há algum tempo e fizeram até um hits do que ele disse na entrevista: “Se eu pudesse eu matava mil, porque sou ‘cabra homi’!”. Hoje é um dia desses....se EU pudesse, matava mil!!!!!!!! Já que não posso, eu desabafo no blog!

Dicas de como NÃO vender bem:
1-      Ao atender o cliente, passe o preço errado da mercadoria, sempre diminuindo o valor.
2-      Quando o cliente retornar a loja para confirmar o valor, você dá o mesmo valor errado, confirmando com sua palavra que é isso mesmo.
3-      Quando o cliente retornar decidido a fazer a compra, diga que se enganou e informe o valor correto. Acredite, 1.000 reais não faz a menor diferença para o cliente.
4-      Agende a entrega para uma data que você não sabe se poderá realmente entregar.
5-      Marque a montagem para outra data (bem distante da data de entrega), seguindo a mesma orientação acima de não saber se é possível realizá-la.
6-      Quando o cliente telefonar cobrando a entrega que não aconteceu, diga a frase consoladora: “Ainda não entregaram? Não se preocupe, amanhã estará na rota!”.
7-      Repita esta frase em todos os dias seguintes que o cliente ligar afirmando que ainda não recebeu o produto. (Siga as mesmas orientações para montagem)
8-      Deixe o cliente esperando por (média) 1 semana. Não se preocupe, ninguém tem mais nada o que fazer, a não ser ficar 12 horas em casa esperando a entrega.
9-      Por fim, o mais importante é garantir que, mesmo depois da mercadoria completamente paga, o cliente a receba apenas quando sua paciência estiver esgotada. Para ter certeza desse momento, consulte a lista de expressões abaixo:
Merda
Porcaria
Puta que pariu
Palhaço
Vai se catar
Vai se &%$#
Agora
Dinheiro de volta
Sustar cheque
PROCON
Mandar matar
Chamar a máfia italiana
Jogar bomba na loja

Se você escutar de um cliente, seja pessoalmente ou por telefone, 2 ou mais expressões dessas, então pode realizar a entrega e montagem. Não se esqueça de falar, para encerrar a conversa a frase: “Nada é como a gente quer!”, assim seu cliente ficará ainda mais irritado e nervoso.

Dicas de como vender bem:
1-      Informe o valor correto da mercadoria (aquela que está facilmente acessível no seu computador).
2-      Combine uma data de entrega e de montagem que você (ou a empresa terceirizada) possa cumprir.
3-      Certifique-se que tanto a entrega quanto a montagem foram realizadas. Caso não ocorra, entre em contato com o cliente para informar o motivo e a data prevista.

Foram apenas 3 passos, será que é tão difícil assim???????